A promessa do governo federal de isentar o Imposto de Renda (IR) para trabalhadores que ganham até R$ 5 mil mensais deve ser concretizada apenas no último ano do mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A expectativa da equipe econômica é que a nova faixa de isenção entre em vigor em janeiro de 2026.
A proposta está sendo desenhada pelo Ministério da Fazenda como parte de um pacote mais amplo de medidas fiscais e tributárias. Embora o texto possa ser enviado e aprovado pelo Congresso Nacional ainda em 2025, a validade prática — ou seja, o momento em que o trabalhador deixará de ver o desconto no contracheque — ficará para o ano seguinte.
Taxação de super-ricos como compensação
Para viabilizar a medida sem comprometer as contas públicas e a meta de déficit zero, o governo precisa encontrar uma fonte de compensação para a perda de arrecadação, exigência da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF).
A principal estratégia em estudo é a criação de uma alíquota mínima de imposto para pessoas físicas com rendimentos anuais superiores a R$ 1 milhão (os chamados "super-ricos").
O que está em jogo: A isenção para a classe média (até R$ 5 mil).
A contrapartida: Aumento de impostos para rendas milionárias.
A data: Validade prevista para janeiro de 2026.
Segundo interlocutores da Fazenda, a ideia é que a taxação dos mais ricos financie o alívio tributário para a classe média, gerando um efeito de "neutralidade fiscal" — onde o governo não perde, nem ganha arrecadação extra, apenas redistribui a carga tributária.
Como funciona hoje
Atualmente, após ajustes feitos no início de 2024, quem ganha até dois salários mínimos (R$ 2.824,00) está isento de pagar Imposto de Renda. Isso foi possível através de um desconto simplificado aplicado diretamente na fonte.
Para atingir a promessa de campanha de R$ 5 mil, o governo precisará praticamente dobrar a faixa de isenção atual.
"Nós vamos fazer a isenção até R$ 5 mil. É um compromisso de justiça tributária", afirmou o presidente Lula em declarações recentes sobre o tema.
Impacto no bolso
Se confirmada para 2026, a medida trará um alívio imediato no orçamento das famílias que ganham entre 3 e 5 salários mínimos, que hoje são tributadas com alíquotas que podem chegar a 27,5% dependendo das deduções legais.
Especialistas apontam que, além do benefício direto ao trabalhador, a medida pode estimular o consumo, já que essa faixa de renda tende a gastar a maior parte do salário no comércio e serviços.
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