A Polícia Federal deflagrou nesta terça-feira (3) a Operação Cassandra, que desarticulou um esquema internacional de tráfico sexual com forte atuação em Santa Catarina. Segundo as investigações, cerca de 70 mulheres foram aliciadas e levadas para a Europa, onde eram exploradas sexualmente após promessas de empregos como modelos ou em outros setores.
A ação mobilizou 120 policiais federais e sete servidores da Receita Federal, que cumpriram seis mandados de prisão preventiva e 22 de busca e apreensão em cidades de Santa Catarina — Florianópolis, São José, Palhoça, Biguaçu e Camboriú — além de outros estados brasileiros.
Esquema internacional
As investigações, iniciadas em 2017, revelaram uma estrutura criminosa complexa, que envolvia lavagem de dinheiro, falsidade documental e crimes tributários, além do tráfico internacional de pessoas. No exterior, a operação contou com o apoio da Europol e da polícia da Irlanda, por meio da ação conjunta denominada “Rhyolite”.
As mulheres eram recrutadas com promessas de oportunidades no exterior. Porém, ao chegarem à Europa, tinham os documentos retidos, sofriam isolamento e eram obrigadas a se submeter à exploração sexual sob controle rígido do grupo criminoso.
Bloqueio de bens
Para enfraquecer financeiramente a organização, a Justiça determinou o bloqueio de até R$ 6,6 milhões em bens e valores dos investigados, além da apreensão de passaportes e suspensão da emissão de novos documentos.
Impacto social
O tráfico de pessoas para fins de exploração sexual é considerado um dos crimes mais lucrativos do mundo, movimentando bilhões de dólares todos os anos. O Brasil, de acordo com organismos internacionais, é um dos países de origem de vítimas mais visados na América do Sul.
Em Santa Catarina, os dados do Ligue 180, canal de denúncia de violência contra a mulher, registraram aumento de 29,7% nas ocorrências em 2024, o que reforça a necessidade de ações integradas de combate a esse tipo de crime.