22/10/2014 às 10h50min - Atualizada em 22/10/2014 às 10h50min

Presidenciáveis miram campanhas em eleitores que não escolheram nenhum candidato no primeiro turno

Em SC, 23,6% dos registrados anularam, votaram em branco ou não compareceram às urnas

Fonte: Diário Catarinense
Reporte:Marcos Antonio - PGN Marcos Imprensa

Foto: Montagem sobre fotos de Alice Vergueira (Futura Press) e Fernando Donasci (O Globo) / ZH

"Mudança" é, definitivamente, a palavra-chave do segundo turno para ambos os lados do debate eleitoral. Enquanto eleitores de Aécio Neves (PSDB) apontam para uma urgência da alternância de poder após 12 anos do mesmo partido na Presidência, os deDilma Rousseff (PT) afirmam que a candidata é a mais qualificada para promover transformações no cenário político brasileiro, inclusive criando o slogan "Dilma Muda Mais" – quase uma oposição a Muda Brasil, coligação da qual o tucano faz parte. 

O fato é que nenhum dos candidatos conseguiu convencer a maioria do eleitorado no primeiro turno. Juntos, Aécio e Dilma levaram os votos de apenas 54% dos brasileirosregistrados na Justiça Eleitoral. 

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No país, 19,3% não foram às urnas no dia 5 de outubro, e dos que foram, 7,7% votaram branco ou nulo – o que significa que mais de 27% dos brasileiros aptos a votar não escolheram entre nenhum dos 11 candidatos a presidente do primeiro turno. 

— Já o segundo turno costuma levar os eleitores a se polarizarem. Atualmente, há um grande sentimento de mudança em curso. Quem quer que ganhe o pleito terá muita dificuldade em governar o país politicamente dividido, principalmente no primeiro ano de mandato. Isso deve se agravar com a perspectiva de uma crise financeira — explicaEduardo Guerini, professor de Ciência Política da Univali. 

As taxas de abstenção em Santa Catarina sempre acompanharam o ritmo nacional, com nenhuma ou pouca variação. Em 2014, 797 mil eleitores catarinenses não votaram no primeiro turno, o que representa 16,4% do total – um dos índices mais altos da história política do Estado. Além disso, mais de 9% dos votos válidos para presidente em SC foram brancos ou nulos. 

— Acredito, infelizmente, que este número irá aumentar no segundo turno. O debate político no Brasil perdeu consistência, e o resultado disso é essa absurda troca de ofensas pessoais e o exagero de cada um, enfatizando números que não representam muita coisa para os eleitores. Muitos se frustraram e nem todos se sentem à vontade com Dilma ou com o Aécio — lamenta Flávio Ramos, doutor em Sociologia Política pela UFSC e professor da Univali. 

Nesta reta final de campanha, avaliam especialistas, os discursos tendem a se acirrar – como aconteceu em 2010, quando um acalorado debate sobre a regulamentação do aborto quase mudou o cenário nacional no último minuto. 

Entretanto, os debates estão sendo tão permeados por agressões que ambos devembaixar o tom das acusações para não passar uma má impressão ao eleitorado, como explica Flávio Ramos: 

— Os estrategistas de campanha pautam o discurso de ambos os candidatos que, seguindo orientações, preferem não correr riscos. Muitas vezes nem mesmo eles acreditam no que estão dizendo. 

"Meu voto é mais um, mas acredito que 
a manifestação política faz a diferença" 


Ele tem 25 anos, mora em São José na Grande Florianópolis, mas já trocou a escala do próximo fim de semana, para estar em Curitibanos e poder votar em Dilma Rousseff (PT). Alan Reinaldi, não votou no primeiro turno. Disse que acreditava na reeleição da presidente Dilma e não foi até a sua cidade natal para votar. Agora com a disputa acirrada do segundo turno, quer votar e incentivar pessoas do seu círculo de amizade a fazer o mesmo. 

Foto: Betina Humeres/Agência RBS

— O meu voto é mais um, mas acredito que minha manifestação política é que faz a diferença. Eu indo até minha cidade votar é um incentivo para as pessoas do meu círculo de amizade me verem como um exemplo — avalia Reinaldi. 

O jovem faz uma análise de que a maioria das pessoas votam nem sempre por questões políticas, mas influenciadas por familiares e amizades. Diante da atitude de Reinaldi, ele e outros quatro amigos combinaram de irem votar juntos, no próximo domingo. 

— Voto na Dilma porque tenho parentes que estudam graças ao Fies e ao Prouni. Vejo benefícios que se não foram criados pelo governo Dilma, foram ampliados e melhorados no governo dela. Assim como o fortalecimento do agronegócio e eu venho de uma cidade que vive do agronegócio — avalia. 

"Do jeito que está, não dá mais. 
Prefiro arriscar a ficar na mesma" 


No dia 5 de outubro, Israel de Campos já estava tão certo que Dilma e Aécio disputariam o segundo turno que não sentiu necessidade de votar. O auxiliar de eletricista de 26 anos mora no Jardim Eldorado, em Palhoça, e reconhece a importância do processo eleitoral, mesmo faltando ao primeiro pleito. 

Foto: Charles Guerra/Agência RBS

— A decisão de verdade será agora. É no segundo turno que a coisa realmente aperta. 

Israel não é um eleitor de carteirinha de Aécio _ não é filiado a nenhum partido nem se sente totalmente contemplado pela política do PSDB _, mas acredita que o fato de o tucano vir de uma "família de políticos, ao contrário da Dilma" seja bastante relevante para seu desempenho na Presidência. Não sabe dizer se antipatiza com a candidata ou com o PT, mas admira o primeiro mandato de Lula (2002-2006) e lamenta que Dilma "não tenha conseguido fazer o mesmo" em seus quatro anos no Palácio do Planalto. 

— Só vem piorando desde o fim do segundo mandato de Lula. Não dá mais pra ficar do jeito que está. Ninguém sabe como será com Aécio, mas eu prefiro arriscar do que continuar na mesma.

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