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Sexta-feira, 13 de Fevereiro de 2026

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Entenda por que José Antonio Kast, eleito no Chile, é chamado de 'Bolsonaro chileno'

Líder da extrema-direita venceu as eleições presidenciais neste domingo (14). Defesa de valores conservadores, discurso 'mão de ferro' na segurança e elogios ao regime de Pinochet o aproximam do ex-presidente brasileiro; veja semelhanças e diferenças.

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Por Marcos Imprensa
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Entenda por que José Antonio Kast, eleito no Chile, é chamado de 'Bolsonaro chileno'
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A vitória de José Antonio Kast nas eleições presidenciais do Chile neste domingo (14) consolida uma guinada à direita na política sul-americana. Com 59 anos, o advogado e ex-deputado do Partido Republicano superou a candidata da esquerda, Jeannette Jara, capitalizando o descontentamento popular com a insegurança e a estagnação econômica.

Mas, para além das fronteiras chilenas, Kast é frequentemente rotulado pela imprensa internacional e por analistas políticos como o "Bolsonaro chileno". A comparação com o ex-presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, não é por acaso: ambos compartilham agendas ideológicas, bases de apoio e uma retórica comum em diversos temas.

O G1 reuniu os principais pontos que explicam essa associação e onde os dois líderes se diferenciam.

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1. Agenda de 'Lei e Ordem'

Assim como Bolsonaro elegeu a segurança pública como bandeira central em 2018, Kast construiu sua popularidade sobre um discurso de tolerância zero contra o crime.

Mão de ferro: Kast defende ampliar o poder de fogo dos policiais e o uso das Forças Armadas em zonas de conflito, como na região de Araucanía.

Imigração: Uma de suas propostas mais polêmicas — e que lembra o discurso de "muros" de Trump e a retórica nacionalista de Bolsonaro — é a construção de uma vala na fronteira norte do Chile para impedir a entrada de imigrantes ilegais, além da deportação imediata de estrangeiros irregulares.

2. Valores conservadores e 'Pauta de Costumes'

A base eleitoral de Kast, assim como a do bolsonarismo, é fortemente alicerçada em grupos religiosos (católicos e evangélicos) e defensores da "família tradicional".

Contra o aborto: Kast é um opositor ferrenho da legalização do aborto em qualquer circunstância e crítico da chamada "ideologia de gênero".

Ministério da Mulher: Em sua campanha de 2021, ele chegou a propor a extinção do Ministério da Mulher, embora tenha recuado estrategicamente dessa ideia posteriormente. A postura ecoa movimentos de redução de pastas com foco social ou identitário.

3. Saudosismo da Ditadura

Talvez o ponto de maior convergência histórica seja a relação de ambos com os regimes militares de seus países.

Enquanto Bolsonaro sempre exaltou o coronel Brilhante Ustra e a ditadura brasileira (1964-1985), Kast nunca escondeu sua simpatia pelo legado econômico e político de Augusto Pinochet (1973-1990).

Seu irmão, Miguel Kast, foi ministro do governo Pinochet. Durante a campanha de 2017, José Antonio afirmou que, se o ditador estivesse vivo, "votaria nele".

"Kast representa uma direita sem complexos", afirmou o próprio candidato em diversas entrevistas, rejeitando a postura de centro-direita tradicional que tentou se distanciar do pinochetismo nas últimas décadas.

4. Economia Neoliberal

No campo econômico, a cartilha de Kast se assemelha à de Paulo Guedes no governo Bolsonaro:

Estado Mínimo: Defesa radical da redução de gastos públicos e diminuição de impostos para grandes empresas como motor de investimento.

Desregulação: Crítica à burocracia estatal e incentivo ao livre mercado, opondo-se às políticas de bem-estar social propostas pela esquerda chilena.

As diferenças: Estilo e Origem

Apesar das semelhanças ideológicas, analistas apontam que Kast e Bolsonaro possuem "embalagens" diferentes.

O temperamento: Ao contrário do estilo explosivo, populista e muitas vezes improvisado de Bolsonaro, Kast é descrito como calculista, calmo e burocrático. Sua fala é mansa, raramente levanta o tom de voz em debates e ele evita o confronto direto com a imprensa nos moldes agressivos do brasileiro.

A origem política: Bolsonaro fez carreira no "baixo clero" do Congresso e ascendeu como um outsider antissistema. Kast, embora use retórica antissistema, vem da elite política tradicional (foi deputado por 16 anos e militante da UDI, partido conservador tradicional) e pertence a uma família rica e influente, ligada a imigrantes alemães.

O que esperar

Com a vitória confirmada, Kast assume em março de 2026 com o desafio de governar um país polarizado, onde o Congresso não terá maioria absoluta de seu partido. A "bolsonarização" do Chile será testada na capacidade do novo presidente de transformar sua retórica de campanha em políticas públicas efetivas sem inflamar os protestos sociais que marcaram o país nos últimos anos.

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