A exportação de petróleo da Venezuela para os Estados Unidos atingiu a marca de 50 milhões de barris ao longo do último ano, consolidando uma retomada estratégica no fluxo de energia entre os dois países. O volume reflete a flexibilização de sanções impostas anteriormente pelo governo americano e a necessidade de Washington buscar fontes alternativas de energia.
Retomada estratégica
A movimentação é liderada, em grande parte, pela gigante americana Chevron, que possui licenças especiais para operar em território venezuelano. Segundo analistas do setor, o petróleo pesado da Venezuela é ideal para as refinarias da Costa do Golfo dos EUA, que foram projetadas especificamente para processar esse tipo de matéria-prima.
Os números da exportação
Total exportado: 50 milhões de barris em 12 meses.
Principais destinos: Refinarias no Texas e na Louisiana.
Crescimento: O volume representa uma alta significativa em comparação com os anos de bloqueio total (2019-2022).
"O retorno do petróleo venezuelano ao mercado americano não é apenas uma questão comercial, mas um movimento de xadrez geopolítico que visa estabilizar os preços internos de combustíveis nos EUA", afirma um especialista em energia consultado pela reportagem.
Cenário Político
Apesar do fluxo comercial intenso, a relação diplomática entre Caracas e Washington permanece complexa. O governo dos EUA condiciona a manutenção das licenças de exportação a avanços em pautas democráticas na Venezuela. Por outro lado, o governo de Nicolás Maduro utiliza o recurso natural como principal moeda de troca para tentar reerguer a economia local, castigada por anos de crise inflacionária.
Impacto na Economia Brasileira
A maior oferta de petróleo venezuelano no mercado global pode influenciar o preço do barril tipo Brent, utilizado pela Petrobras como referência para o mercado interno brasileiro. Com mais petróleo circulando, a tendência é de uma menor pressão de alta nos preços da gasolina e do diesel no Brasil a longo prazo.