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Sabado, 17 de Janeiro de 2026

Santa Catarina

Ignorou a gravidade': produtores de arroz de SC acusam governo federal de omissão diante da crise no setor

Representantes da indústria catarinense afirmam que medidas atuais são insuficientes e que venda do grão ocorre abaixo do custo de produção. Setor pede incentivo à exportação para evitar colapso.

Marcos Imprensa
Por Marcos Imprensa
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Ignorou a gravidade': produtores de arroz de SC acusam governo federal de omissão diante da crise no setor
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Produtores e representantes da indústria do arroz de Santa Catarina subiram o tom das críticas contra a gestão do governo federal nesta quarta-feira (3). Em reunião realizada em Brasília, lideranças do SindArroz-SC (Sindicato das Indústrias de Arroz de Santa Catarina) acusaram o Governo Federal de "ignorar a gravidade" da crise que atinge a cadeia produtiva no estado.

O principal ponto de conflito é a desvalorização acentuada do grão no mercado interno. Segundo o sindicato, a saca de 50 kg de arroz está sendo negociada a cerca de R$ 55, valor significativamente abaixo do custo de produção, estimado em R$ 75.

A categoria argumenta que as políticas adotadas pelo governo — como a facilitação de importações e compras públicas tímidas pela Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) — não resolveram o problema e, em alguns casos, agravaram a situação ao inundar o mercado.

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'Governo não agiu'

Durante a agenda na capital federal, os produtores cobraram ações mais enérgicas para o escoamento da produção excedente. A tese defendida pelo setor é de que o Brasil possui um "superávit" de arroz, contrariando a narrativa de desabastecimento que motivou leilões de importação no passado recente, logo após as enchentes no Rio Grande do Sul.

"O governo ignorou a gravidade do cenário. O custo de produção no Brasil é um dos mais altos do mundo devido à carga tributária, e o produtor está pagando para trabalhar. Sem medidas para retirar esse excedente do mercado interno, a cadeia vai descapitalizar e quebrar", afirmou um dos representantes do SindArroz-SC.

Divergência sobre a Conab

A atuação da Conab tem sido o centro das discussões. O governo anunciou recentemente a intenção de comprar arroz para formação de estoques públicos, visando garantir a segurança alimentar e evitar a inflação do alimento na mesa do consumidor.

No entanto, para as indústrias de Santa Catarina, o volume anunciado (entre 100 mil e 200 mil toneladas) é insuficiente para regular o preço de mercado. A OCESC (Organização das Cooperativas do Estado de Santa Catarina) reforçou que medidas pontuais de compra interna "não mudam o estoque de passagem".

A demanda do setor produtivo é outra: o investimento em exportação.

O que pedem os produtores

Para equilibrar as contas, os arrozeiros exigem que o Ministério da Agricultura acione mecanismos federais de apoio à comercialização externa, especificamente:

PEP (Prêmio para Escoamento de Produto): Um subsídio governamental para quem compra o produto diretamente do produtor e o escoa para regiões de difícil abastecimento ou para o exterior.

Pepro (Prêmio Equalizador Pago ao Produtor Rural): Valor pago diretamente ao produtor (ou cooperativa) que se disponha a vender seu produto pela diferença entre o preço mínimo e o valor de mercado.

A estimativa das entidades é que seria necessário escoar cerca de 1 milhão de toneladas para o mercado internacional para que os preços internos voltassem a patamares sustentáveis para quem planta.

Contexto da crise

A tensão entre produtores de arroz do Sul e o governo federal se intensificou em meados de 2024. Após as cheias históricas no Rio Grande do Sul (maior produtor nacional), o Planalto editou Medidas Provisórias autorizando a importação de arroz para evitar desabastecimento e alta de preços.

Na época, entidades como a CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil) e federações estaduais foram ao STF (Supremo Tribunal Federal) tentar barrar a medida, alegando que mais de 80% da safra já havia sido colhida antes das chuvas e que não havia risco de falta do produto.

Agora, em dezembro de 2025, o cenário de preços baixos para o produtor parece confirmar o temor de excesso de oferta denunciado pelas entidades, gerando a atual crise de rentabilidade no campo catarinense.

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