29/02/2016 às 13h07min - Atualizada em 29/02/2016 às 13h07min

60 anos de extensão rural em Santa Catarina

Neste dia 29 de fevereiro o serviço de extensão rural em Santa Catarina celebra 60 anos de existência.

Assessoria de Comunicação

Os agrônomos vinham até as nossas propriedades e nos orientavam sobre a melhor forma de produção" lembra seu Vicente Zamboni, hoje com 74 anos, e uma história de uma vida inteira na agricultura. Ele conta que dos 70 sacos por hectares de milho colhido, multiplicaram-se para mais de 130 sacas por meio das orientações do serviço de extensão rural desenvolvido pela ACARESC, hoje Epagri.

Essa contribuição que iniciou em Santa Catarina no ano de 1956 com os Escritórios Técnicos em Agricultura (ETA), se pulverizou em 1977, com a criação da ACARESC, que contava com mais de 1200 profissionais ligados diretamente aos escritórios municipais. Nesse período, um dos agrônomos  foi Valério Pietro Mondin, que da regional iniciou os atendimentos em Rio das Antas e posteriormente assumiu a coordenação regional do Programa de Fruticultura de Clima Temperado, uma das maiores contribuições do modelo para a região.

"Lembro que quando iniciamos os trabalhos em Rio das Antas havia vários produtores pensando em se transferir para outras regiões e estados, devido aos solos esgotados e à baixa produção. Com orientações correção, conservação do solo, adubações e novas tecnologias, os resultados positivos começaram a aparecer, animando os produtores e, a nós, extensionistas, ampliando o sentimento de dever cumprido" afirmou Mondin

O engenheiro-agrônomo, quando integrou o Programa de Fruticultura, passou a coordenar um grupo de extensionistas que levavam as informações e orientações, em base, fruto da pesquisa, para o homem do Campo. Os avanços como de frutas de caroço, de uva e de maçã, principalmente, tiveram uma contribuição significativa por meio desse projeto.

A defesa contra geadas na fruticultura, que embasou o livro produzido por Mondin, conta com histórias e iniciativas desenvolvidas pelo programa. O engenheiro-agrônomo relata que, diversos pomares inicialmente plantados, com 4 a 5 anos e já em idade de produzir, eram atingidos por geadas prejudiciais, comprometendo os resultados, desanimando e desmotivando os produtores. Nessa ocasião, foram intensificados estudos para tentar amenizar e defender esses pomares dessa situação.

Mondin evidencia que os primeiros testes desenvolvidos que apresentaram resultados positivos foi com o uso do fogo,, para evitar que a geada comprometesse a produção. Logo após foi desenvolvido estudos com base da aspersão de água, que também contribuiu de sobremaneira "Assim que tínhamos um parecer favorável dos estudos e resultados das técnicas aplicadas, de forma imediata o conhecimento era levado ao produtor" destacou.

Com quase 30 anos de atividade na extensão, Mondin se aposentou pela Epagri, e hoje tem do trabalho de antigamente, o lazer. Em uma área criada aos fundos da sua casa, cultiva as principais frutas da região, todas para consumo próprio. "Como extensionistas tínhamos um compromisso muito grande com a nossa comunidade, o produtor rural e sua família. Lembro das minhas primeiras férias, quando minha intenção era logo voltar ao trabalho e acompanhar as ações que estavam sendo implantadas. Hoje o meu singelo pomar é uma forma de saborear um pouco de tudo que vivi e aprendi, nessa atividade" finalizou.

 

Novos desafios e novas conquistas

Com dois anos de serviço na área de extensão rural, Cassio Marques de Valois, de 28 anos, atua em Salto Veloso e afirma que o modelo é importante para o desenvolvimento das comunidades. Já abraçado pela comunidade local, Cassio atende de forma freqüente mais de 65% das famílias de produtores do município. Com palestras, dias de campo e políticas públicas, quase 100% das famílias velosenses contam com o aporte da extensão oferecido pela Epagri.

Na propriedade de Valdenir Zamboni, Cassio dá sua contribuição com orientações pontuais sobre olericultura. A demanda surgiu de um estudo de campo, que apontou a oportunidade dessa atividade, para o abastecimento do mercado interno. Além das dicas sobre o plantio, Cassio repassou sugestões de projetos para contribuir com o financiamento da proposta. Por meio do Fundo de Desenvolvimento Rural (FDR), foram conquistados recursos, a juros subsidiados, para criação de duas estufas de 8x30, para cultivo protegido.

"Nossa proposta nesse serviço de extensão rural é contribuir com o produtor, para que o mesmo tenha maior resultado em sua atividade. É um serviço aonde o maior benefício conquistado é mais produção e renda ao agricultor" afirmou.

Valdenir garante a satisfação. Ele conta que a Epagri é parceira do produtor e uma alternativa eficiente para o crescimento "Quando optamos em trabalhar com a estufa de verduras foi a Epagri que repassou orientações, modelos de implantação, nos orientou sobre os recursos para a estufa, enfim, estiveram e estão disponíveis para nos auxiliar. Temos muito que agradecer e parabenizar pelo trabalho" afirmou.

 

Epagri presente em quase 100% dos municípios catarinenses

Presente em quase que a totalidade dos municípios catarinenses, a Epagri, que foi a fusão da antiga ACARESC, com o setor de pesquisa, EMPASC; continua trabalhando fortemente no serviço de extensão rural. Com o aporte das cooperativas e das empresas particulares na orientação aos produtores, a com a redução da força de trabalho na Extensão a Epagri decidiu por priorizar suas áreas de atuação, e na região de Videira são três departamentos específicos: bovinocultura, fruticultura e olericultura. Com 639 extensionistas, continua tendo um importante papel de fomentar o crescimento e o desenvolvimento do produtor.

Com o apoio do setor de pesquisa a Epagri é a porta de entrada de informações e orientações aos produtores. Além da presença in loco na propriedade, o serviço de extensão ainda contribui com as políticas públicas de apoio ao setor como: troca-troca de semente, calcário, programa irrigar, entre outros.

"O maior retorno da Epagri é o desenvolvimento do produtor, com melhoria de produção e renda. É para isso que trabalhamos e é por isso que neste dia 29 de fevereiro temos muito o que comemorar. Enaltecendo os primeiros extensionistas, que desbravaram as regiões e multiplicaram seus conhecimentos. É uma história muito bonita de progresso que nos inspira hoje em dia,  a fazer cada vez mais" afirmou Jonatan

Na história da extensão rural, outro destaque interessante seu deu com a presença da extensionista social, que desempenhava funções de orientação sobre organização e limpeza dos lares, preparação de ambientes, educação ambiental, produção de alimentos para auto consumo e que hoje se fortalece também com criação de alternativas de renda, em especial, por meio do artesanato, do turismo rural e outras atividades geradoras de renda.

Segundo o secretário executivo, Dorival Carlos Borga, a data é digna de comemoração. "A contribuição por meio da transferência do conhecimento aos produtores, exercida pelos extensionistas rurais, foi fator preponderante para que hoje nossa região estivesse aonde está, e o progresso, com certeza também passará por esses profissionais comprometidos com a atividade rural da nossa região e estado" finaliza.

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