10/11/2014 às 10h33min - Atualizada em 10/11/2014 às 10h33min

Partidos apontam quem serão os protagonistas da próxima disputa ao governo do Estado

Siglas ainda avaliam resultados deste pleito, mas começam a projetar as próximas eleições. PSD, PMDB, PSDB e PT sinalizam que brigarão daqui a quatro anos

RIC | Stefani Ceolla | Arte: Zambi
Reporte:Marcos Antonio - PGN Marcos Imprensa


Ainda em meio à análise sobre o resultado do pleito em 2014, nomes surgem e os partidos começam a prospectar o cenário para 2018. Até agora, há especulações e avaliações individuais. PSD, PMDB, PSDB e PT, protagonistas nestas eleições, sinalizam que vão trabalhar para lançar seus candidatos ao governo daqui a quatro anos. A intenção não leva em conta alianças nem os fatos novos que podem surgir no decorrer do caminho. Mostra, no entanto, que apesar das parcerias atuais, eles querem seu lugar garantido no posto máximo da política catarinense. 

  A afirmação mais enfática vem do PMDB. O partido garante que terá candidato a governador no próximo pleito. A definição parte de um “acordo prévio”: como apoiou e fez parte do governo Raimundo Colombo (PSD) – sucessor de Luiz Henrique da Silveira (PMDB) – em duas ocasiões, a maior sigla catarinense teria em 2018 o cargo de governador na majoritária, e a candidatura seria apoiada pelo PSD. Cinco nomes são cogitados para concorrer ao posto.

  Lideranças do partido do governador, no entanto, não confirmam o acordo. Defendem que a sigla deve trabalhar para ter, em detrimento das alianças, candidato ao governo em 2014. A postura é a mesma dentro do PSDB, que pode voltar a concorrer com Paulo Bauer (PSDB) como candidato, e no PT, que vai buscar alianças para 2018.

Conflito de interesses entre PSD e PMDB

  “É muito cedo para especular nomes, o que tem é a posição do partido, que referendou duas vezes Raimundo Colombo e é natural que reivindique a candidatura ao governo”, opina o senador Luiz Henrique da Silveira (PMDB).  Presidente estadual da sigla, o vice-governador Eduardo Pinho Moreira (PMDB) é ainda mais incisivo: “Não é apenas natural que tenhamos candidato a governador, mas irreversível”. Segundo Pinho Moreira, a candidatura “faz parte do projeto”. “Apoiamos a reeleição do Colombo por ser um governo do qual fazemos parte”, justifica. Ele já aponta possíveis nomes: além do seu, cogita a candidatura do deputado federal Mauro Mariani, dos estaduais Valdir Cobalchini e Mauro de Nadal, e do senador eleito Dário Berger.

  O problema é que o acordo e o movimento sinalizados pelo PMDB não são avalizados pelo PSD. Presidente da sigla, Antonio Ceron (PSD) é enfático: “esse acordo com o PMDB nunca existiu”. Ele pondera que a candidatura em 2018 “é uma questão que deve ser desenvolvida ao longo do tempo”. “O partido vai se preparar, mas não há nada definitivo. Em princípio a ideia é se fortalecer para disputar o governo em 2018 e o fazer máximo de prefeituras em 2016”, projeta. Garante, ainda, que não houve até o momento nenhuma conversa interna prospectando 2018.

  O deputado federal João Rodrigues (PSD) também defende a candidatura do partido ao governo daqui a quatro anos. “Não há conversa, mas há predisposição interna, no meu caso em específico, de buscar a candidatura ao governo. O meu nome também está à disposição, como outros estão”, comenta. Rodrigues pondera: “claro que isso depende de negociações, mas, para mim, o partido tem que ter candidatura”. Sobre acordo com o PMDB, ele diz que “terá que ser avaliado”. Outro nome forte no partido é o de Gelson Merisio (PSD), deputado estadual mais votado em 2014.

Rivais nacionais, PT e PSDB marcam terreno no Estado

  Ao avaliar o resultado das eleições ao governo do Estado, o senador Paulo Bauer (PSDB), candidato que ficou em segundo lugar, afirmou: “Evidente que o mandato [como senador] vai me abrir a possibilidade de participar de um processo eleitoral em 2018. Ainda não está definido a que cargo público eu concorro e como sempre participei de decisões políticas concorrendo, não descarto a possibilidade de participar das próximas eleições”. Ele enfatiza seu histórico político – foram oito eleições, quatro federais e uma estadual, e três na majoritária – e sinaliza que “é óbvio que a candidatura para o governo do Estado é uma possibilidade daqui a quatro anos”.

  Já no PT, que tradicionalmente disputa eleições ao governo do Estado, o cenário é de indefinição. Enquanto o presidente da sigla Claudio Vignatti (PT) aponta que ainda é necessário avaliar o resultado do pleito em 2014 e, comungando da mesma opinião da ministra Ideli Salvatti (PT) defende que seja interpretado o que quer o eleitor catarinense, o deputado federal Décio Lima (PT) sugere coalisão. “O PT tem a tarefa de combater o isolamento que essa última eleição nos levou. Vamos ter sim nomes, mas tem que ser buscados na formação de um projeto de aliança”, opina. Entre as possibilidades, aponta seu próprio nome e novamente o de Vignatti, que ficou em terceiro lugar em uma campanha isolada ao governo em 2014. “Mas os nomes são secundários, o primeiro passo é buscar antigos aliados, como PCdoB e PDT, além de partidos da base que vai dar governabilidade com a presidente Dilma [Rousseff]. Nesse aspecto, não descartamos conversas inclusive com o governador Raimundo Colombo”, afirma, sinalizando a possibilidade de o PT compor a base aliada ao governo.

PP estuda nova estratégia

  O PP também pretende trabalhar para tornar viável uma candidatura ao governo em 2018. O presidente estadual da sigla, João Pizzolatti Junior (PP), afirma: “Temos todos os mecanismos para construir um projeto em 2018. Eu acredito que devemos ter candidato”. Ele aponta que “o esforço inicial é construir o projeto para 2018 e viabilizar o maior número de prefeitos e vereadores em 2016”. Para Pizzolatti, é necessário motivar as bases. “Não adianta você ser ‘o cara’ se não tem a base do partido motivada”, pondera. Acredita que, se o PP não tiver candidato a governador, será fundamentar para “definir quem será”.

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